[Crônica] UM FELIZ ANO NOVO. By RUBENS BIZARRO ROMARIZ

27/12/2018 14:54

UM FELIZ ANO NOVO. 

 

RUBENS BIZARRO ROMARIZ 

 

         Lembra-me o Gênesis que o último personagem a entrar na cena do teatro do mundo foi o homem. A “Teoria da Evolução”, na qual se supõe que o homem teria uma cauda que foi sendo  perdida ao longo do tempo, foi o que Charles Darwin imaginou. Há, entretanto, sempre uma ponta de dúvida quando o homem apronta uma travessura, principalmente quando se parece com aquelas que os macacos fazem por aí. 

Formou-se, o homem do barro da terra, por vontade do Senhor Deus”. Antes, porém, Deus criou os animais da terra, segundo suas espécies. Acumularam-se no local onde foi realizada a divina tarefa, - restos, sobras de argila, resíduos, retalhos, aparas de material utilizado.  

Com as águas das chuvas, o Senhor amassou todo o material e fez-se uma boa liga de argilamatéria prima para a escultura final com que arrematou a criação. Quiçá aí está a explicação porque o bicho homem ficou numa mistura de vícios e virtudes, qualidades e defeitos, recalques e instintos, próprios de todas as bestas. 

A nobreza do falcão e a sordidez do corvo, a destemidez do tigre e a prudência do coelho, a força do leão e a honestidade da ovelha, a astúcia da raposa velhaca e a honradez do cão, a paciência do burro e a agressão da cobra, a malandragem do macaco e a pureza da garça, a candidez do beija-flor e perversidade do escorpião, a paz da pomba e o espírito do porco são exemplos de alguns animais, e assim  não se poderá negar que o homem é, nada mais, nada menos, que a salada de elementos contraditórios, em cujo comportamento muito se assemelha ao dos irracionais. 

A televisão e os jornais nos dão provas constantes, de que o homem se deixa levar pelos instintos ou pelos impulsos das paixões. A psicologia moderna nos classifica por medidas de inteligência, onde o consciente intelectual varia do cretino ao gênio. Assim, constantemente, encontramos indivíduos “ brucutus” ou “broncos” que nos fazem supor que dentro desses crânios, somente existe um amorfo de neurônios que se manifestam em circuito fechado. Às vezes nos parecem normais, cujo encéfalo parece transmitir reações lógicas, porém logo em seguida revelam a parte animalesca que pode tornar-se pública ou simplesmente conservada sob censura tudo para o bem da coletividade. 

A observação acima é minha suposição para a explicação dos fatos humanos nesse final de 2.018. Há sempre uma sensação de alegria e de tristeza nos Natais e nos Anos Novos. 

Assim é o homem, eterno imperfeito, ser inquieto, choroso na infância, frustrado na adolescência, egoísta na juventude, e acima de tudo presa fácil da cobiça. Escrever sobre todos, enumerar os fatos é o dom dos escritores. Assim, nessa crônica em que o ano está falecendo, deixo uma explicação a todos os leitores que nos prestigiaram e apoiaram e, as desculpas quando nem sempre fomos compreendidos. Ver o homem, auscultar-lhe suas vontades, saciar-lhe as sedes é a função de cada um, tal qual ensinou – Antoine de Saint Exupéry no livro “ Le Petit Prince” -  O  Pequeno Príncipe, onde nos diz que para podermos ver as borboletas, é preciso suportar as lagartas. 

...Mas Deus, em compensação, fez também  o dia e a noite. A noite faz o sono em sonhos no amanhecer um novo dia. Há, contudo, sempre uma esperança, quando se ouve alguém desejando um Feliz Ano Novo. 

Um feliz ano novo é meu desejo a todos, desse escrevinhador.